Activos intangíveis: importância e formas de estimar

Este artigo foi escrito  em co-autoria com Jairo Avelar no âmbito de uma disciplina de Gestão do Conhecimento do ISCTE-IUL.

Neste pequeno texto, procuramos sintetizar e resumir as principais ideias dos artigos de Dennemeyer1, de GAMA et all2 e de ZADROZNY3 no que diz respeito à importância dos activos intangíveis quer na economia das organizações, assim como de que forma os Sistemas de Informação se integram nesta abordagem.

Activos Intangíveis

Os activos intangíveis estão na ordem do dia e a gerar uma atenção crescente entre os gestores das organizações (empresas ou outras entidades sem fins lucrativos). Contudo, esta grande agitação é relativamente recente. Até meados dos anos 90, os investidores e gestores apenas analisavam os indicadores financeiros de uma organização.

Contudo, nos últimos anos, têm-se assistido a um reconhecimento da importância dos activos intangíveis como forma de alçar uma visão mais global, real e consistente das organizações (GAMA et al, 2006).

Um activo intangível (isto é: não é “palpável”) pode ser definido como uma fonte potencial de rendimento e de criação de valor para uma organização, embora não tenha incorporação física, como outros activos (um edifício, por exemplo) (Lev 2003)4. São exemplos de activos intangíveis, o valor de mercado uma marca forte5), as patentes farmacêuticas (entre outras em geral), os direitos de propriedade intelectual, o capital humano, os Sistemas de Informação, o know-how dos colaboradores, etc. São, no fundo, vários componentes do negócio que a maior parte das organizações ignora e dá como garantida (Lev 2003).

Para alguns autores, entre 50 e 90% do valor criado por uma organização advém, não da gestão dos tradicionais activos financeiros, mas da gestão do capital intelectual (Lengrand 2001)6.

É natural que cada vez mais organizações estejam a tentar tirar proveito dos activos intangíveis. Independentemente da estratégia que usam, torna-se claro que o valor presente e futuro das empresas está directamente ligado aos activos intangíveis e da gestão que estas fazem destes.

Por isso, hoje em dia procura-se encontrar formas de quantificar o valor e importância destes activos e da sua relação com a capitalização do mercado.

Contudo, muitas organizações têm dificuldade em perceber a importância dos activos intangíveis devido à falta de visão dos processos internos das organizações.

No entanto, a Gestão dos activos intangíveis pode, para além de outras coisas, fazer aumentar a vantagem competitiva, aumentar a produtividade e ajudar na gestão do risco. Num esforço para tirarem o máximo de proveito dos seus activos intangíveis as empresas desenvolvem competências de Intellectual Asset Management (IAM) pois “manter uma gestão dos activos intelectuais apresenta um vasto conjunto de potenciais oportunidades para a tecnologia de hoje em dia e para as empresas direccionadas para a inovação” (Dennemeyer & Company 2004).

Muitas empresas como a IBM, Philips e Texas Instruments conseguiram aumentar o seu lucro através de uma boa gestão dos seus activos intelectuais.

Calcular a rendibilidade (ou retorno) do investimento (ROI) proveniente do uso dos activos intangíveis pode ser uma tarefa difícil.

Todavia, hoje em dia existem algumas plataformas que facilitam tarefa tornando mais fácil a criação de uma justificação financeira para os custos da sua gestão.

Sistemas de Informação (SI)

“Muitos gestores esperam, ainda, ansiosamente pelo momento que poderão consultar informação sobre os seus activos intangíveis” (Zadrozny, 2006). Hoje dia graças aos Sistemas de Informação é já uma possibilidade fazê-lo;

Os Sistemas de Informação (SI) têm vindo a adoptar um papel cada vez mais central tanto nas organizações mais agressivas tecnologicamente como nas mais tradicionais. Hoje em dia, um banco operar sem um SI seria algo imaginável. Contudo, o valor/benefício criado pelo SI não está quantificado. Não obstante, seria possível estimar, por exemplo, a quantidade adicional de trabalho manual, de recursos e de tempo necessários para que esse banco tivesse um nível de desempenho semelhante sem o SI. Os SI criam benefícios para as organizações que, na maior parte das vezes, não são determinados nem quantificados – isto é, criam um valor intangível.

Outra questão que se levanta nesta temática, diz respeito ao modo de selecção da informação útil sobres os activos intangíveis que pretendemos seleccionar. Para tal, os gestores devem ter em mente duas perguntas fundamentais: que tipo de informação são importantes e onde podem ser consultadas.

Dependendo da qualidade dos dados (uma vez que os dados podem não coerentes ou consistentes) o processo de extracção da informação poderá ser mais ou menos automatizado. Contundo, e por muito amadurecido que este processo possa estar, a componente humana nunca pode ser excluída do processo de análise. Para os computadores deverão ficar as operações mais rotineiras.

Há vários benefícios que advêm do uso dos SI, contudo, como são de quantificação complexa, raramente entram nos cálculos financeiros. De qualquer modo e uma vez que alguns organismos reguladores começam a exigir a quantificação dos activos intangíveis nos balanços das empresas, estas procuram encontrar métodos para quantificar os seus activos intangíveis, nomeadamente através dos SI.

Todavia,  investimento em SI potencia a criação de outros activos intangíveis devido aos investimentos (avultados) adicionais necessários, nomeadamente no conhecimento e competências, partilha e distribuição da informação, trabalho em equipa, etc.

 

Metodologias de quantificação dos activos intangíveis

Existem estudos que indicam várias metodologias/plataformas para quantificar os activos intangíveis. Eis as propostas por Sveiby (Sveiby 2005) e pela União Europeia (CEC 2003). Segundo estes estudos, podem definir-se quatro tipos de métodos:

Direct Intellectual Capital Methods (DIC) – inserem-se os métodos que estimam o valor monetário dos activos intangíveis pela identificação das várias componentes, atribuindo valor monetário a cada um dos activos determinados.

Market Capitalization Methods (DIC) – estes métodos calculam o valor dos activos intangíveis como a diferença entre o valor no mercado de capitais e a sua equidade física;

Return on Assets Methods (RAM) – métodos que quantificam monetariamente o valor dos activos intangíveis pelos resultados obtidos divididos pelos activos tangíveis descontando os custos.

Scorecard Methods (SC) – métodos não monetários que procuram identificar os vários componentes dos activos intangíveis, permitindo a criação de indicadores e índices reportados através de Balanced Scorecards. São os métodos mais usados para avaliar a saúde financeira das organizações em função da performance e consecução dos objectivos estratégicos.

Os métodos que usam a quantificação monetária baseada em critérios financeiros (RAM e MCM) são úteis porque permitem a comparação directa entre organizações numa mesma indústria. Por outro lado, estes podem não traduzir a dimensão real dos activos intangíveis, pois traduzem apenas o valor agregado global. As vantagens dos métodos DIS e SC é que podem mostrar uma mais efectiva imagem da saúde da organização do que as métricas financeiras, podendo ser aplicável a qualquer nível da organização.

Contudo, os indicadores são muito contextuais e configurados para a organização em que são implementados, dificultando a comparação com organizações da mesma indústria. São métodos novos e ainda dificilmente aceites pelos administradores e analistas financeiros mais habituados a perspectivas financeiras (Sveiby 2005) (CEC 2003).

Conclusão

Para Zadrozny, “é razoável antecipar que cada vez mais as empresas se focalizarão em gerir os seus intangíveis nos próximos anos as que o fizerem o mais cedo possível, e da melhor forma ganharam certamente uma incrível vantagem competitiva”.

Os gestores dão ainda um uso reduzido a informação que obtêm. É necessário analisar varias áreas do negócio em simultâneo. Graças à informação dos activos intangíveis, uma empresa poderá, por exemplo, analisar as atitudes positivas e negativas dos seus clientes e proceder ao melhoramento os seus produtos e serviços. Este processo de melhoramente deverá ser uma mudança contínua pois qualquer mudança leva a uma nova necessidade de informação.

Por outro lado, no que diz respeito aos Sistemas de Informação, as organizações devem criar um sistema de gestão de activos intangíveis que permita identificar, quantificar, e medir constantemente esses activos para justificar os investimentos em Sistemas de Informação. Cabe aos gestores perceberem qual o melhor momento para o começarem a fazer.

  1. “The Role of Intangible Assets In The New Economy”, a Product White Paper , Intellectual Property and Technology. www.ipfrontline.com []
  2. GAMA, Nelson,  SILVA, Miguel M. (2006) “Activos Intangíveis dos Sistemas de Informação”, Instituto Superior Técnico, Lisboa, Portugal []
  3. ZADROZNY, Wlodek (2006), “Tirar Vantagens dos Activos Intangíveis”, Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão (Out/Dez 2006) []
  4. LEV, B. (2003). Intangible Assets Concepts and Measurement. Encyclopedia of Social Measurement, 2003 []
  5. A Coca-Cola está avaliada em cerca de 83,8 biliões de dólares (Bean & Jarnagin 2001 []
  6. LENGRAND, L. (2001). Policy Trends in Intangible Assets. Versailles, LL&A Publications, France. []

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